terça-feira, 22 de setembro de 2015

Café da Manhã

Quem conhece o Gabriel, sabe que ele é pouco dado a "brasileirismos" e tão pouco aprecia ou é adepto do novo Acordo Ortográfico. A língua chama-se Português, não brasileiro, angolano ou o que quer que lhe queiram chamar. Sem com isso querer ele estar a menosprezar ou diminuir a importância dos condignos falantes (bem ou mal falantes) ou qualquer outro nascido nos CPLP. Ainda assim, o Português deve (ou devia) ser sempre o Português. 

Quando se refere a Café da Manhã, Gabriel quer dizer mesmo o café da manhã. O primeiro café pela manhã. Aquele que, psicologicamente é apontado como o responsável pelas "célulazinhas cinzentas" começarem a labutar de forma morrinhenta e molengona, depois de uma preguiçosa mas apressada noite de repouso. 

Cada vez mais, um crescente número de portugueses (naturalmente aqueles que trabalham... ou não), afirmam não conseguir começar a raciocinar antes de tomar o primeiro café. Psicológico ou Fisiológico? Talvez um pouco de ambos. Os efeitos da cafeína são sobejamente conhecidos e ele sobre isso não vai falar. Quem os quiser saber que pesquise em sites de saúde/nutrição, pois não é disso que este blog trata. Os efeitos psicológicos são outros... Concordarão alguns, que o efeito psicológico do café será qualquer coisa levemente parecida com o amor: fogo que arde sem se ver. Mas então poderíamos indagar, o café arde? Só se for em chávena escaldada. Mas que activa as funções do cérebro de uma forma ardentemente espantosa, isso que não haja dúvidas. Mas será isso psicológico? Nã... Isso só pode ser coisa da sua cabeça...

Facto é que, assim que o primeiro café da manhã é tomado, uma sensação irrompe pela pessoa a dentro e, tal como uma droga, fica-se dependente. É como que, a espaços, quase como um primeiro amor. Mas acontece todos os dias (manhãs para a maior parte, tarde ou noite para alguns). Mas então, isso leva para querermos sofrer de amor todos os dias? Talvez, mas... Gostamos tanto de sofrer por amor que até o café pode ser desculpa. Tão irremediavelmente antagónico que tudo isto lhe sugere ser...

Ainda assim, os portugueses gostam de café. E ao contrário do que acontece por esse mundo fora, não dispondo porém de dados científicos que o comprovem, mas apenas de uma vasta experiência empírica, os portugueses tomam café como ninguém. O "simples" expresso (e único pois ninguém domina a arte do expresso como o português) pode ter imensas variantes. Para além do normal temos o cheio, o curto, a italiana, o pingado... E até a temperatura da chávena deve ser equacionada, desde escaldada a gelada, etc... A própria denominação varia... café, bica, cimbalino... Enfim, tomar café em Portugal é uma arte. 


A esta altura, estará o crítico leitor a questionar: Mas este não é um blog de "descascar nalguma coisa"? Correctíssimo estimado bloguista (ele confessa que o termo blogger lhe causa espécie). Contudo, nem todos os dias são perfeitos. Gabriel acordou, mal disposto como habitual. O banho matinal não ajudou muito, mas... Está um dia de sol do mais perfeito que o Outono pode proporcionar, temperatura desagradavelmente amena, a paisagem da janela do seu quatro, não é menos do que espectacular... Ele, por sua vez, continua apaixonado, e, por muito que tente, não consegue encontrar um motivo para estar mal disposto. Poderá haver uma forma mais imperfeita e desagradável de acordar? Racional como ele só, não pode estar mal disposto só porque sim. Assim, valha-lhe o santo café da manhã. O primeiro e o segundo. O cérebro começa a funcionar, a cafeína faz as "célulazinhas cinzentas" rejubilarem-se com a quantidade inusitada da bem vinda cafeína, e, contrafeito mas inevitável, surge o primeiro sorriso. 

Enfim, o café da manhã é sempre bem vindo e proporciona a calma necessária para um bom início de dia. 


Até já,
Gabriel

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