segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Barman

É uma das profissões da moda. É exactamente igual aos DJ's... Qualquer um que possa estar a passar música atrás de um PC, logo se intitula de DJ. Mas disso ele, Gabriel, irá disso falar numa outra ocasião se assim se aprouver...

Ora nos dias de hoje, parece que qualquer um também pode ser barman. Basta ter (ou talvez não) dois palmos de cara, alguma popularidade e qualquer indivíduo pode ir para trás de um balcão fazer misturas explosivas e com isso cimentar a boa saúde estomacal do incauto cliente.


O barman de outrora, usava camisa branca de colarinho impecavelmente engomado, papillon e ocasionalmente colete negro. Falava com uma linguagem irrepreensível, tinha modos soberbos e tinha que ser dotado de uma qualidade que o tornava único: Sigilo. Era habituado a ouvir todo o tipo de conversas. Por vezes, até lhe era solicitada opinião. Contudo era, passe o cliché, silencioso como um túmulo. Por outro lado, e profissionalmente, dominava a arte da mistura de bebidas, conhecia e realizava irrepreensivelmente um Cosmopolitan, um Kir Royale ou um Pimms No. 1. Para o barman de outrora, a sangria não era uma mera mistura de vinho, gasosa e açúcar, com pequenos pedaços de maçã, e a arte de realizar uma caipirinha, não era nem de longe o ultimate level da sua actividade. 


Actualmente estamos dominados por uma horda de pseudo-FreeStilers, em que os intervenientes ambicionam ser tal e qual o Tom Cruise de há anos atrás, e que atiram garrafas ao ar, misturam bebidas de forma pouco ortodoxa ou mesmo não experimentada e, com isso engatam as pequenas (que o autor gosta de denominar, recorrendo ao vocabulário cool da contemporaneidade, de pitas, e que, também elas, devem nos próximos dias ter um post reservado), recorrendo a uma forma banal de coro cantado, que nada herda do bom e português piropo, com que os jovens de outrora brindavam a moçoilas. 



Por outro lado,  o autor vive numa pequena cidade do interior (em que as pessoas que costumam sair à noite são maioritariamente de cariz universitário), onde quase toda a gente frequenta habitualmente os mesmos sítios e dentro desses círculos, todas as pessoas acabam por se conhecer. Assim, os aspectos relacionados com sigilo e confidencialidade deviam assumir uma importância maior. Mentira! Realidade: se o leitor fala em frente aos referidos sujeitos, é tal e qual a onda de um tsunami, alastra-se em poucas unidades de tempo, torna-se viral e, à boa maneira portuguesa, como quem conta um conto aumenta um ponto, temos de forma grátis, um enredo fantástico para uma nova novela brasileira do mais alto gabarito, ou, como por vezes acontece, uma série tipo Morangos com Açúcar. Dá para tudo.


Associado aos tempos modernos e à justa igualdade adquirida com a emancipação do sexo feminino, surge ainda uma "facada" maior para a profissão: A barmaid. Desengane-se a estimada leitora, que Gabriel não nada tem contra meninas atrás do balcão, na maior parte dos casos, até acha que os típicos decotes com que o brindam, são deveras agradáveis. O problema, é que a grande maioria não tem mais do que isso para vender. A carinha bonita e o corpo bem feito não passam de um chamariz para o sexo dito forte, que nem se preocupa muito com a qualidade com que a bebida que lhe é vendida, desde que servida com um sorriso ou até uma piscadela de olho, provindo de alguém cuja "cabecinha oca" (perdoem-lhe a falta de vocabulário para adjectivar de forma mais conveniente) não chega para mais.

As soluções afiguram-se complicadas e de difícil execução... 

A primeira e mais óbvia, passaria por um terramoto ou outra qualquer espécie de catástrofe natural selectiva que, pura e simplesmente, eliminasse todos os cidadãos tipo "pasmados" que compram estes "produtos de merchandising directo" a qualquer preço, trocando a qualidade dos serviços pagos (da bebida, claro) pela qualidade visual da personagem que a serve.

A segunda, passa pela tomada de consciência do cliente. Quem paga pode (e sublinhe-se deve) exigir um serviço bem feito. O estimado leitor, não se deverá importar de pagar uma qualquer quantia (de acordo com as suas posses e gosto) por uma determinada bebida, desde que para isso, ela seja servida de forma condigna e a rigor. Note-se que, quando o faz, deve estar a pagar o profissionalismo rigoroso de quem a prepara, e, caso entenda, os dois dedos de conversa que se esperam ser de índole privada, sem ter que se preocupar com o facto de o individuo que está do outro lado, possa vir a apregoar (tal e qual uma sardinha de boa qualidade no mercado do Bolhão) o teor dessa ou de outra conversa que possa estar a ter. 

Entretanto, para Gabriel, o autor, e outras pessoas com o mesmo estilo de preferências e condutas, vão ter que continuar a suportar certa inconfidencialidades por parte de tais sujeitos, que continuam incólumes e serenos atrás dos ditos balcões, considerando-se autênticos personagens tipo Brian Flanagan, mas apenas quando se vêm ao espelho. 



Que venham melhores tempos, ou mudem-se as vontades (que é como quem diz, as casas frequentadas)...

Gabriel

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