quinta-feira, 24 de setembro de 2015

A Mãe e as Novas Tecnologias

As crianças de hoje em dia, nascem com um quase domínio perfeito dos meios de suporte às novas tecnologias de informação. E as mães?

Gabriel também tem mãe. Ao contrário do que se poderia pressupor, ele é uma pessoa perfeitamente normal com os problemas comuns que assolam todos vocês. Ora, o dia de ontem ficou marcado pelo diálogo com a dita senhora. "Filho, quero comprar um telemóvel que dê para ir à Internet e tirar fotografias, as minhas amigas estão sempre na Internet e eu também quero". Note-se que a mãe dele, ou como ele gosta de referir, a "sua Maria", é uma pessoa bastante moderna para a idade. Gosta de sair com as amigas, ir a jantares, bares e discotecas. Dado estes factores, poderia parecer tarefa de fácil empreendimento. Desengane-se o estimado leitor... "Livro das Mães", 2ªa Edição, 1847, Edições Nova Lisboa, e passo a citar: "Infernizar a vida aos filhos sempre que tal seja necessário, ou não. Sempre que tal lhe seja apetecido, o que se traduz, sempre que esteja junto com ele."

Pode ter a sua piada e até chegar a ser efusivamente hilariante... Mas na hora, caro leitor, ele garante que foi de fazer trepar paredes. Conselho de amigo, nunca, sublinhe-se NUNCA, levem as vossas mães a uma loja de telemóveis para comprar um SmartphoneVão ter a oportunidade de entrar num mundo incontornável de disparates e nonsense que ninguém consegue imaginar ou sequer julgar estar preparado para... 

1. Passo: A escolha do dito aparelho. Procurava-se algo dentro dos cento e poucos euros, desbloqueado para evitar toda a panóplia de firmware com que habitualmente as operadoras nos brindam e que apenas servem para tornar os aparelhos mais lentos, e, primeiro ponto da escolha feminina: Branco!!! Se é rápido, dual ou quad ou octacore, não interessa, memória, para quê? Branco. Ok, seja. Depois de outros muito mais bonitos, chega-se ao consenso: Wiko Rainbow Lite. "É Branco pode ser".

2. Passo: "Quer sair com o telemóvel já a funcionar?" A resposta afirmativa era óbvia. Troca-se então o cartão. "Qual é o seu pin?". A resposta não poderia ser mais inusitada... "E eu lá sei?" Começa a telenovela mexicana com tradução brasileira Herbert Richers... Ao questionar, ingenuamente a mãe sobre se não se lembrava do pin, ou se o tinha alterado previamente, a acusação surge logo de forma gratuíta e não remunerada: "A culpa é tua!" "Claro minha mãe". O corropio de de acusações absurdas que não tinham qualquer necessidade de carácter lógico tinha aqui o início da actividade declarado. Após algumas chamadas e experiências, lá se conseguiu alterar o dito código decimal para a sua forma original, sem que, entretanto, o funcionário da loja não tivesse perdido o número de cabelos equivalente à assistência de um jogo de futebol da Segunda Divisão de Honra. Era urgente e emergente, compreender que uma Phone House, não é uma operadora e não tem acesso a dados sobre os clientes da Rede TMN.

3. Passo: A passagem dos contactos. Assemelhou-se a uma longa metragem típica do saudoso Manuel de Oliveira. "A senhora têm conta Google?" Ahahahahaha. Claro que não. E conseguir explicar que a passagem dos contactos recorrendo apenas ao Sim Card era uma coisa que poderia não ser assim tão rápida quanto inicialmente pressuposta? "Quando comprei este último telemóvel, a menina fez isso em dois minutos". O problema era a senhora, mãe de Gabriel, compreender diferenças incompreensíveis para uma mente a processar tecnologia em 128kb... Com calma e paciência e uma meia maratona realizada pelos ponteiros do relógio, lá se chegou a bom porto. Estava tudo pronto? Desengane-se...

4. Passo: "Trabalhar com Smatphones para Totós"... Após os anteriores imbróglios contornados, eis o funcionamento da dita máquina. "Posso ensinar-lhe o básico do trabalho do telemóvel?" Perguntou o atencioso mas, tão incauto funcionário. A resposta, clara e provida de toda lógica não se fez esperar: "Claro, como é que vou à Internet e tiro fotos?" Gabriel, sereno e impávido como ele só, não resistia e explodia numa sonora e audível gargalhada que toda a população da sua cidade natal deverá ter escutado. "Minha mãe" disse, "não seria melhor, num primeiro momento, aprender a fazer, atender ou até recusar chamadas e, mandar e ler mensagens?" E logo começava a Longa Metragem - Parte II. Parecia que ele estava novamente no cinema a assistir ao Senhor dos Anéis... Depois de mais umas infindáveis voltas dos ponteiros, concluiu-se a aula de Andróide Básico, Nível 1. Saindo da loja, uma frase fica na retina da memória: "Não percebi nada do que ele esteve para ali a falar este tempo todo, vais ter que me ensinar."

Do outro lado do seu próprio telefone criava-se um movimento: MAMMCG - Movimento Armado das Mulheres do Mundo Contra Gabriel. Parecia que a mãe e a musa, sem tão pouco se conhecerem, se uniam numa luta sem tréguas contra a paciência do vosso anfitrião deste "Estradas Incertas". Ai dele se elas um dia travam conhecimento e pior, ficam ami
gas...

Os próximos dias serão de tormento, desejem-lhe boa sorte.

Gabriel

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