segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Geocaching

Gabriel, desde novo que foi criado no campo. Reconhece as árvores e os seus frutos, bem como quando a altura em ele que amadurecem. Sabe quando germinam as sementes, e quando certas flores desabrocham. Assim, e neste contexto, pode considerar-se um amante e respeitador da natureza, bem como um orgulhoso nas suas raízes simples.

Recorrendo às Novas Tecnologias de Informação, dialogava no outro dia com uma amiga que muito estima, que lhe falou daquilo que estava a fazer no momento. Qualquer coisa tipo "sobre andar de rabo para o ar no meio do monte, para, recorrendo a um GPS e bússola, encontrar uma pequena caixa que terá umas folhas dentro onde poderás assinar": Geocaching.


Mas então para que serve isso e o que se ganha com isso? Gabriel, de natureza habitualmente curiosa, mas de formação académica na áreas das Ciências Económicas, estava curioso. Já tinha ouvido falar e resolveu aprofundar. 


que se pode ganhar com o Geocaching? Passatempo bem remunerado que dá prémios aos melhores? Não, nem por isso. Muito pelo contrário. Mas permite umas caminhadas excelentes que até podem fazer poupar alguns euros do ginásio. E serve para? Não serve para grande coisa, mas pode ajudar a desenvolver algum espírito, tão necessário, de respeito e conservação pela natureza. Ajuda ainda a conhecer locais nas vossas próprias terras, que antes desconheceriam. E desengane-se o individuo que julga conhecer toda a sua terra... Gabriel é nascido e criado no seu burgo, e, em apenas 5 dias, descobriu já novos locais que desconhecia, com um entusiasmo e uma coragem redobrada.


Ainda assim, o que fará Gabriel sair da cama mais cedo e deitar-se mais tarde, abandonando o conforto dos lençóis, para andar no meio do pó, aos tombos, a transpirar, ao calor e à sede, às escuras com frio, a ter que mergulhar em água fresca q.b.? Nem ele sabe... Talvez o curto prazer do convívio com amigos que o acompanham, (Sebastião15 é o exemplo maior, na foto, em plena actividade com Gabriel), talvez pelo desafio de resolver enigmas, talvez por respirar ar puro ou sentir aromas do passado quando atravessa campos perfumados por figueiras). Ninguém, tão pouco ele o sabe.

Algumas caches já feitas, muitas ainda por fazer, chiclas, gaiolas, parafusos e pistolas. Vamos ver o que os próximos dias vão reservar, já que, dedicado como ele é, às actividades que planeia e nas que se envolve, já sonha com voos mais altos. 

Em breve mais novidades, mas entretanto, e a bem de um espírito mais ecologista e de respeito pela Mãe Natureza, que têm sido alvo de sucessivos e continuados atropelos e atentados, Gabriel aconselha este passatempo a todos os que, tal como ele, apreciem a convivência e o equilíbrio com a Mãe. 

Mais informações em www.geocaching.com

Até já...

Gabriel

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

A Mãe e as Novas Tecnologias

As crianças de hoje em dia, nascem com um quase domínio perfeito dos meios de suporte às novas tecnologias de informação. E as mães?

Gabriel também tem mãe. Ao contrário do que se poderia pressupor, ele é uma pessoa perfeitamente normal com os problemas comuns que assolam todos vocês. Ora, o dia de ontem ficou marcado pelo diálogo com a dita senhora. "Filho, quero comprar um telemóvel que dê para ir à Internet e tirar fotografias, as minhas amigas estão sempre na Internet e eu também quero". Note-se que a mãe dele, ou como ele gosta de referir, a "sua Maria", é uma pessoa bastante moderna para a idade. Gosta de sair com as amigas, ir a jantares, bares e discotecas. Dado estes factores, poderia parecer tarefa de fácil empreendimento. Desengane-se o estimado leitor... "Livro das Mães", 2ªa Edição, 1847, Edições Nova Lisboa, e passo a citar: "Infernizar a vida aos filhos sempre que tal seja necessário, ou não. Sempre que tal lhe seja apetecido, o que se traduz, sempre que esteja junto com ele."

Pode ter a sua piada e até chegar a ser efusivamente hilariante... Mas na hora, caro leitor, ele garante que foi de fazer trepar paredes. Conselho de amigo, nunca, sublinhe-se NUNCA, levem as vossas mães a uma loja de telemóveis para comprar um SmartphoneVão ter a oportunidade de entrar num mundo incontornável de disparates e nonsense que ninguém consegue imaginar ou sequer julgar estar preparado para... 

1. Passo: A escolha do dito aparelho. Procurava-se algo dentro dos cento e poucos euros, desbloqueado para evitar toda a panóplia de firmware com que habitualmente as operadoras nos brindam e que apenas servem para tornar os aparelhos mais lentos, e, primeiro ponto da escolha feminina: Branco!!! Se é rápido, dual ou quad ou octacore, não interessa, memória, para quê? Branco. Ok, seja. Depois de outros muito mais bonitos, chega-se ao consenso: Wiko Rainbow Lite. "É Branco pode ser".

2. Passo: "Quer sair com o telemóvel já a funcionar?" A resposta afirmativa era óbvia. Troca-se então o cartão. "Qual é o seu pin?". A resposta não poderia ser mais inusitada... "E eu lá sei?" Começa a telenovela mexicana com tradução brasileira Herbert Richers... Ao questionar, ingenuamente a mãe sobre se não se lembrava do pin, ou se o tinha alterado previamente, a acusação surge logo de forma gratuíta e não remunerada: "A culpa é tua!" "Claro minha mãe". O corropio de de acusações absurdas que não tinham qualquer necessidade de carácter lógico tinha aqui o início da actividade declarado. Após algumas chamadas e experiências, lá se conseguiu alterar o dito código decimal para a sua forma original, sem que, entretanto, o funcionário da loja não tivesse perdido o número de cabelos equivalente à assistência de um jogo de futebol da Segunda Divisão de Honra. Era urgente e emergente, compreender que uma Phone House, não é uma operadora e não tem acesso a dados sobre os clientes da Rede TMN.

3. Passo: A passagem dos contactos. Assemelhou-se a uma longa metragem típica do saudoso Manuel de Oliveira. "A senhora têm conta Google?" Ahahahahaha. Claro que não. E conseguir explicar que a passagem dos contactos recorrendo apenas ao Sim Card era uma coisa que poderia não ser assim tão rápida quanto inicialmente pressuposta? "Quando comprei este último telemóvel, a menina fez isso em dois minutos". O problema era a senhora, mãe de Gabriel, compreender diferenças incompreensíveis para uma mente a processar tecnologia em 128kb... Com calma e paciência e uma meia maratona realizada pelos ponteiros do relógio, lá se chegou a bom porto. Estava tudo pronto? Desengane-se...

4. Passo: "Trabalhar com Smatphones para Totós"... Após os anteriores imbróglios contornados, eis o funcionamento da dita máquina. "Posso ensinar-lhe o básico do trabalho do telemóvel?" Perguntou o atencioso mas, tão incauto funcionário. A resposta, clara e provida de toda lógica não se fez esperar: "Claro, como é que vou à Internet e tiro fotos?" Gabriel, sereno e impávido como ele só, não resistia e explodia numa sonora e audível gargalhada que toda a população da sua cidade natal deverá ter escutado. "Minha mãe" disse, "não seria melhor, num primeiro momento, aprender a fazer, atender ou até recusar chamadas e, mandar e ler mensagens?" E logo começava a Longa Metragem - Parte II. Parecia que ele estava novamente no cinema a assistir ao Senhor dos Anéis... Depois de mais umas infindáveis voltas dos ponteiros, concluiu-se a aula de Andróide Básico, Nível 1. Saindo da loja, uma frase fica na retina da memória: "Não percebi nada do que ele esteve para ali a falar este tempo todo, vais ter que me ensinar."

Do outro lado do seu próprio telefone criava-se um movimento: MAMMCG - Movimento Armado das Mulheres do Mundo Contra Gabriel. Parecia que a mãe e a musa, sem tão pouco se conhecerem, se uniam numa luta sem tréguas contra a paciência do vosso anfitrião deste "Estradas Incertas". Ai dele se elas um dia travam conhecimento e pior, ficam ami
gas...

Os próximos dias serão de tormento, desejem-lhe boa sorte.

Gabriel

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Dia Mundial Sem Electricidade

O comum cidadão, entre os quais se compreende o condigno leitor, está focado e vive num estilo de vida que compreende um crescente numero de várias "superfulidades" às quais se vai habituando e que, logo após um curto período de usufruto, tornam-se indispensáveis para o dia-a-dia. Um exemplo cabal, é o telemóvel. Quando Gabriel era jovem, o uso desta geringonça, que a cada ano evolui e exige mais do utilizador, era inexistente. As pessoas pensavam e planeavam a agenda dentro de um horizonte temporal mais alargado que o imediato. Os primeiros aparelhos foram aparecendo e muito pouco uso tinham. Eram um luxo, eram um adereço supérfluo de moda. Hoje, sair de casa sem ele, corresponde a uma sensação de vazio que apenas encontra paralelo na hipótese de sair de casa sem roupa.

Gabriel, altruísta como ele só, despido de vaidade e abnegando do seu próprio conforto diário, ousou desafiar uma das mais básicas necessidades, para poder relatar e partilhar convosco a ímpar experiência, e, neste contexto, passou um dia (que é como quem diz umas horas que compreenderam e abarcaram a velha e conselheira noite) sem um dos mais preciosos dos confortos pouco dispensáveis: A Electricidade. Vestiu o fato de homem das cavernas e, no período compreendido entre as 19:00 do dia de ontem, até há hora que os senhores da EDP se dignem a restituir o serviço em causa, resolveu viver há "moda antiga".

Tendo previamente convidado uma amiga cujo nome não será revelado, mas que irá, carinhosamente, ser denominada eteronimamente de Josefa, e, não gostando de faltar aos seus compromissos, empreendeu a árdua empresa de organizar o melhor jantar do mundo, fazendo esquecer o mero pormenor da ausência de electricidade. A conclusão foi mais do que óbvia. A dita luz, não fez falta nenhuma. Aliás, se o tal propalado repasto, composto de bife à cervejeira,arroz basmati e espargos salteados, pudesse ter sido saboreado à luz de uma ordinária lâmpada, com certeza que no dia seguinte, não teria sido mais do que um jantar de terça-feira, e dificilmente teria motivos para ser recordado, ou até objecto deste escrito.

A tarefa de cozinhar à luz da vela, para além do espírito romântico, é um desafio a qualquer Master Chefe, e apenas se encontra ao alcance dos mais dotados. Gabriel, foi com toda a certeza capaz de superar-se a ele próprio, tais e tantos foram os elogios. A lareira da sala crepitava alegremente e, embora o frio exterior não se fizesse sentir, conferia ao ambiente um cariz familiarmente acolhedor, ajudando ainda a provir alguma da indispensável claridade. A televisão, outro vício moderno, continuava muda, não podendo reclamar para si o protagonismo a que por si só está tão habituada. A guitarra, deposta a um canto, parecia querer sair do lugar e pedia para ser tocada. Antes da sobremesa pré concebida, leram-se dois textos de Miguel Esteves Cardoso, a saber: o Almoço e o Piropo. Logo, homenageado este último, que MEC considera indispensável na cultura do homem português, fez-se uma pequena batota e trocou-se mais um piropo recorrendo há pouca bateria que o telemóvel dele ainda possuía.

O café viria a tomar-se no exterior, onde a vida fervilhava freneticamente, iluminada que era artificialmente, onde as capas negras dos estudantes do burgo, acenavam em cada nova esquina que ia sendo galgada, ao som da banda sonora da coscuvilhice e da gargalhada. No regresso a casa para uma noite dormida apressadamente, como que na ânsia do Café da Manhã, a luz eléctrica não fazia falta. Ou se calhar, os copos degustados entretanto assim o faziam pensar. A chave entrou na fechadura, e à memória veio a lembrança que momentos antes tinha ficado quase irremediavelmente esquecida no interior do apartamento que Gabriel partilha com o amigo Gustavo (heterónimo, claro). Para resolver tal celeuma, Gabriel havia recorrido à vizinha do lado e aos andaimes que se encontram no exterior do sétimo andar do prédio onde habita, que há muito lá se encontram, com o intuito de provir a base necessária para as demoradas obras. Um sorriso infantil e um tanto nada ébrio, formou-se lentamente e permaneceu por algum tempo nos lábios e na sua mente.

Boa noite... 
Pela manhã seguinte ele iria pagar o raio da conta em atraso com a taxa de urgência para que a comida do frigorífico não se estragasse.


                                                                                                                            Gabriel

terça-feira, 22 de setembro de 2015

Café da Manhã

Quem conhece o Gabriel, sabe que ele é pouco dado a "brasileirismos" e tão pouco aprecia ou é adepto do novo Acordo Ortográfico. A língua chama-se Português, não brasileiro, angolano ou o que quer que lhe queiram chamar. Sem com isso querer ele estar a menosprezar ou diminuir a importância dos condignos falantes (bem ou mal falantes) ou qualquer outro nascido nos CPLP. Ainda assim, o Português deve (ou devia) ser sempre o Português. 

Quando se refere a Café da Manhã, Gabriel quer dizer mesmo o café da manhã. O primeiro café pela manhã. Aquele que, psicologicamente é apontado como o responsável pelas "célulazinhas cinzentas" começarem a labutar de forma morrinhenta e molengona, depois de uma preguiçosa mas apressada noite de repouso. 

Cada vez mais, um crescente número de portugueses (naturalmente aqueles que trabalham... ou não), afirmam não conseguir começar a raciocinar antes de tomar o primeiro café. Psicológico ou Fisiológico? Talvez um pouco de ambos. Os efeitos da cafeína são sobejamente conhecidos e ele sobre isso não vai falar. Quem os quiser saber que pesquise em sites de saúde/nutrição, pois não é disso que este blog trata. Os efeitos psicológicos são outros... Concordarão alguns, que o efeito psicológico do café será qualquer coisa levemente parecida com o amor: fogo que arde sem se ver. Mas então poderíamos indagar, o café arde? Só se for em chávena escaldada. Mas que activa as funções do cérebro de uma forma ardentemente espantosa, isso que não haja dúvidas. Mas será isso psicológico? Nã... Isso só pode ser coisa da sua cabeça...

Facto é que, assim que o primeiro café da manhã é tomado, uma sensação irrompe pela pessoa a dentro e, tal como uma droga, fica-se dependente. É como que, a espaços, quase como um primeiro amor. Mas acontece todos os dias (manhãs para a maior parte, tarde ou noite para alguns). Mas então, isso leva para querermos sofrer de amor todos os dias? Talvez, mas... Gostamos tanto de sofrer por amor que até o café pode ser desculpa. Tão irremediavelmente antagónico que tudo isto lhe sugere ser...

Ainda assim, os portugueses gostam de café. E ao contrário do que acontece por esse mundo fora, não dispondo porém de dados científicos que o comprovem, mas apenas de uma vasta experiência empírica, os portugueses tomam café como ninguém. O "simples" expresso (e único pois ninguém domina a arte do expresso como o português) pode ter imensas variantes. Para além do normal temos o cheio, o curto, a italiana, o pingado... E até a temperatura da chávena deve ser equacionada, desde escaldada a gelada, etc... A própria denominação varia... café, bica, cimbalino... Enfim, tomar café em Portugal é uma arte. 


A esta altura, estará o crítico leitor a questionar: Mas este não é um blog de "descascar nalguma coisa"? Correctíssimo estimado bloguista (ele confessa que o termo blogger lhe causa espécie). Contudo, nem todos os dias são perfeitos. Gabriel acordou, mal disposto como habitual. O banho matinal não ajudou muito, mas... Está um dia de sol do mais perfeito que o Outono pode proporcionar, temperatura desagradavelmente amena, a paisagem da janela do seu quatro, não é menos do que espectacular... Ele, por sua vez, continua apaixonado, e, por muito que tente, não consegue encontrar um motivo para estar mal disposto. Poderá haver uma forma mais imperfeita e desagradável de acordar? Racional como ele só, não pode estar mal disposto só porque sim. Assim, valha-lhe o santo café da manhã. O primeiro e o segundo. O cérebro começa a funcionar, a cafeína faz as "célulazinhas cinzentas" rejubilarem-se com a quantidade inusitada da bem vinda cafeína, e, contrafeito mas inevitável, surge o primeiro sorriso. 

Enfim, o café da manhã é sempre bem vindo e proporciona a calma necessária para um bom início de dia. 


Até já,
Gabriel

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Barman

É uma das profissões da moda. É exactamente igual aos DJ's... Qualquer um que possa estar a passar música atrás de um PC, logo se intitula de DJ. Mas disso ele, Gabriel, irá disso falar numa outra ocasião se assim se aprouver...

Ora nos dias de hoje, parece que qualquer um também pode ser barman. Basta ter (ou talvez não) dois palmos de cara, alguma popularidade e qualquer indivíduo pode ir para trás de um balcão fazer misturas explosivas e com isso cimentar a boa saúde estomacal do incauto cliente.


O barman de outrora, usava camisa branca de colarinho impecavelmente engomado, papillon e ocasionalmente colete negro. Falava com uma linguagem irrepreensível, tinha modos soberbos e tinha que ser dotado de uma qualidade que o tornava único: Sigilo. Era habituado a ouvir todo o tipo de conversas. Por vezes, até lhe era solicitada opinião. Contudo era, passe o cliché, silencioso como um túmulo. Por outro lado, e profissionalmente, dominava a arte da mistura de bebidas, conhecia e realizava irrepreensivelmente um Cosmopolitan, um Kir Royale ou um Pimms No. 1. Para o barman de outrora, a sangria não era uma mera mistura de vinho, gasosa e açúcar, com pequenos pedaços de maçã, e a arte de realizar uma caipirinha, não era nem de longe o ultimate level da sua actividade. 


Actualmente estamos dominados por uma horda de pseudo-FreeStilers, em que os intervenientes ambicionam ser tal e qual o Tom Cruise de há anos atrás, e que atiram garrafas ao ar, misturam bebidas de forma pouco ortodoxa ou mesmo não experimentada e, com isso engatam as pequenas (que o autor gosta de denominar, recorrendo ao vocabulário cool da contemporaneidade, de pitas, e que, também elas, devem nos próximos dias ter um post reservado), recorrendo a uma forma banal de coro cantado, que nada herda do bom e português piropo, com que os jovens de outrora brindavam a moçoilas. 



Por outro lado,  o autor vive numa pequena cidade do interior (em que as pessoas que costumam sair à noite são maioritariamente de cariz universitário), onde quase toda a gente frequenta habitualmente os mesmos sítios e dentro desses círculos, todas as pessoas acabam por se conhecer. Assim, os aspectos relacionados com sigilo e confidencialidade deviam assumir uma importância maior. Mentira! Realidade: se o leitor fala em frente aos referidos sujeitos, é tal e qual a onda de um tsunami, alastra-se em poucas unidades de tempo, torna-se viral e, à boa maneira portuguesa, como quem conta um conto aumenta um ponto, temos de forma grátis, um enredo fantástico para uma nova novela brasileira do mais alto gabarito, ou, como por vezes acontece, uma série tipo Morangos com Açúcar. Dá para tudo.


Associado aos tempos modernos e à justa igualdade adquirida com a emancipação do sexo feminino, surge ainda uma "facada" maior para a profissão: A barmaid. Desengane-se a estimada leitora, que Gabriel não nada tem contra meninas atrás do balcão, na maior parte dos casos, até acha que os típicos decotes com que o brindam, são deveras agradáveis. O problema, é que a grande maioria não tem mais do que isso para vender. A carinha bonita e o corpo bem feito não passam de um chamariz para o sexo dito forte, que nem se preocupa muito com a qualidade com que a bebida que lhe é vendida, desde que servida com um sorriso ou até uma piscadela de olho, provindo de alguém cuja "cabecinha oca" (perdoem-lhe a falta de vocabulário para adjectivar de forma mais conveniente) não chega para mais.

As soluções afiguram-se complicadas e de difícil execução... 

A primeira e mais óbvia, passaria por um terramoto ou outra qualquer espécie de catástrofe natural selectiva que, pura e simplesmente, eliminasse todos os cidadãos tipo "pasmados" que compram estes "produtos de merchandising directo" a qualquer preço, trocando a qualidade dos serviços pagos (da bebida, claro) pela qualidade visual da personagem que a serve.

A segunda, passa pela tomada de consciência do cliente. Quem paga pode (e sublinhe-se deve) exigir um serviço bem feito. O estimado leitor, não se deverá importar de pagar uma qualquer quantia (de acordo com as suas posses e gosto) por uma determinada bebida, desde que para isso, ela seja servida de forma condigna e a rigor. Note-se que, quando o faz, deve estar a pagar o profissionalismo rigoroso de quem a prepara, e, caso entenda, os dois dedos de conversa que se esperam ser de índole privada, sem ter que se preocupar com o facto de o individuo que está do outro lado, possa vir a apregoar (tal e qual uma sardinha de boa qualidade no mercado do Bolhão) o teor dessa ou de outra conversa que possa estar a ter. 

Entretanto, para Gabriel, o autor, e outras pessoas com o mesmo estilo de preferências e condutas, vão ter que continuar a suportar certa inconfidencialidades por parte de tais sujeitos, que continuam incólumes e serenos atrás dos ditos balcões, considerando-se autênticos personagens tipo Brian Flanagan, mas apenas quando se vêm ao espelho. 



Que venham melhores tempos, ou mudem-se as vontades (que é como quem diz, as casas frequentadas)...

Gabriel

Notas Sobre o Autor e Sobre o Blog


Muito podia haver para falar sobre o autor (ou nem por isso), mas, objectivamente ele não pretende revelar tudo. Também não pretende deixar de o fazer... Através dos posts vindouros poderá o leitor conhecer, se assim o achar conveniente, mais sobre tal personagem: o Gabriel.


O Gabriel, é um trintão (quase a chegar aos quarenta), solteiro e sem vontade de deixar essa condição, apaixonado pelas coisa boas da vida: mulheres bonitas, boa comida e bebida, convívio salutar na companhia dos amigos, boa música e, acima de tudo, paz de espírito com verdade e sinceridade no pensamento. A ordem não é necessariamente de cariz hierárquico.

A motivação que levou o Gabriel a criar este "estradas incertas", deriva de ter lido recentemente, pela "enésima" vez, um dos seu livros preferidos: "A Causa das Coisas" do enorme Miguel Esteves Cardoso, e, por outro lado, achar que, ele próprio tem opiniões marcadamente vincadas sobre certas pequenas coisas do dia-a-dia, que o visitam, cumprimentam, e depois, talvez pelo carácter marcadamente efémero, saem sem por vezes se despedirem. Surgiu uma necessidade impiedosa de "passar para o papel" essas opiniões.

Assim sendo, poderá o leitos questionar, será que este blog apenas vai retratar insignificâncias da vida? Sim e não. Por todos os motivos. Primeiro, porque nada é insignificante as trivialidades encerram tanto em si mesmo, que só compreendendo-as é que podemos compreender-mo-nos. Depois, porque iremos abordar conceitos e ideias maiores e mais abrangentes... Talvez de forma simplificada, talvez decompondo-as em trivialidades, talvez o autor ainda não faça a mais pequena ideia de como o irá fazer... A seu tempo. 



Poderá o leitor ter uma certeza: Cruze-se no caminho de Gabriel e desperte a sua atenção... Terá com certeza umas linha dedicadas a si próprio.


Gabriel