sexta-feira, 24 de março de 2017

Look who's back...

De volta caros leitores...

Após um período de desaparecimento, Gabriel voltou... Perdido entre sonhos e venturas, a dura realidade, lembrou-se de lhe bater à porta para o recordar que lá fora está tudo igual... Dois anos passaram mas foi só e apenas isso. Acordado de esperanças vãs, despertou e sentiu uma súbita vontade de regressar aos dias de escrita e de partilhar vivências... O que se passou ao longe destes dois anos? Os dias e as noites continuaram a suceder-se numa vertiginosa onda de feitas dos mesmos enganos e das melhores hipocrisias...

Tudo igual então? Poderá o caro leitor perguntar... Não, nem tudo, algumas alegrias e incontornáveis tristezas aconteceram... Entre elas, não podia deixar de vos contar... O mais fiel amigo de Gabriel partiu... Sim, o Meia-Noite deixou-nos... Aquele terno olhar e a meiga busca por carinho e atenção, não mais voltarão a ser sentidas... Com a sua partida, vai o imenso rol de segredos e histórias que mais ninguém conhecia... E Gabriel chorou... Chorou dilacerado pela dor da maior e mais incomensurável perda, que chacinou o que ainda havia no lugar de um coração...  Mas antes de partir, ainda houve tempo para deixar a sua prole espalhada pelo mundo, e oferecer-lhe o doce dom da sua abençoada presença: 4 filhotas... O saber que o seu sangue fica espalhado pelo mundo é reconfortante... Menos para Gabriel... Ele, embora agradecido, não há um dia que não recorde o mais fiel dos amigos, quando sua filhota vêm de igual modo em busca de atenção... É, tal como o pai, um mimo de criatura, mas não preenche o vazio que ficou dentro de um coração empedrecido...

Onde quer que estejas, o "pai" ama-te...

Hoje, entretanto, tal como ontem e tal como amanhã, é dia de tentar espairecer a cabeça das turbulentas nuvens que a assombram... Dizem que depois da tempestade vem a acalmia, mas Gabriel não sente vislumbres da mesma... Assim sendo, ele volta a sair da melancolia do lar para esquecer delírios mórbidos de sonhos que mais não são do que apenas e só isso mesmo: Sonhos... Hoje será dia de Tuna... Gabriel é fundador de uma afamada  e refinada Tuna. Hoje é dia de convívio com os seus e outros pares... Mais uma noite, onde entre amigos, quase tudo é permitido, porque os amigos são isso mesmo... Amigos. E quando assim é, há cosas que quem está de fora, nunca conseguirá compreender. Estará o estimado leitor a perguntar o porquê de tal divagação sobre a temática amizade... Não será despropositada tal questão... E sim... conhecerá Gabriel a ponto de saber que nada com ele é despropositado... contudo, ficará sem resposta... Apenas com um lamiré: Amizade, é um tango dançado ao ritmo de um jogo de expectativas recíprocas... Por vezes, um dos pares acaba por se descuidar e pisar o parceiro... É que nem sempre as expectativas são correspondidas...

Fique bem caro leitor, e saudemos este regresso, que, queremos que seja duradouro, deste seu naturalmente sombrio autor...

Gabriel

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Bom dia


Bom dia.


Bom dia o tanas! Tudo deverá ter regressado à normalidade na sua vida. Gabriel andava há vários dias a acordar bem disposto, como se o mundo lhe sorrisse, como se tudo lá fora fosse perfeito. Podia estar o maior temporal do mundo, que havia um motivo para sorrir ou para uma gargalhada. Uma criança, um animal, uma piada ou um simples "bom dia" proporcionava rasgados sorrisos. Finalmente acabou.

Hoje, o dia amanheceu solarengo, e da janela do seu quarto, a paisagem parecia primaveril. O sol pintava de tons dourados a aguarela quente que a vista da sua janela proporciona. Alguns pássaros chilreavam e a multidão deslocava-se com o habitual afoito para a labuta diária. Gabriel espreguiçou-se como habitualmente e... um estranho sentimento que já não era sentido há muito tempo... Que vão tudo e todos à fava!!! O mundo parece novamente normal. o azul e o dourado voltaram a ficar agradavelmente cinzentos. 

O dia continua e, ao comprar uma habitual e costumeira pulseira que dá acesso geral e indiscriminado a uma festa que dura cerca de uma semana (que acontece sempre nesta altura e começa já amanhã), a menina fez o troco com um prejuízo involuntário mas inimputável pessoalmente, de 10€. Gabriel sai, calma e pacatamente, só se apercebendo mais tarde (é assim pela manhã). Estava tudo reunido para ser um dia perfeito mas... não! A má disposição prevalece e, como habilmente acontecia dantes, lá para meio da tarde, deverá estar tudo normal. A meio do regresso ao trabalho, "plim"... Tinha ficado de dar boleia à amiga Josefa e esqueceu-se dela. Perfeito... Um dia perfeitamente normal à moda antiga.

Por mensagem, pediram a Gabriel para escrever sobre isto, "só porque sim". Cá está, ele espera que os estimados leitores gostem, ou não. Não importa. De tarde talvez haja uma opinião mais concreta.

Passem bem mal, no conforto de um dia normal,

Gabriel

terça-feira, 6 de outubro de 2015

Inverno

O Inverno é a antítese perfeita do conforto. Representa e simboliza, tudo aquilo pelo que o vosso subconsciente, para além do vosso "eu-físico", não gosta nem tão pouco se sente à vontade. Implica mais trabalho matinal, luta a dois tempos que não se pode ganhar contra o chuveiro, e um planeamento táctico na hora de sair de casa, em tudo semelhante à arte e estratégia das batalhas e guerras de outros tempos.

O frio e a clara necessidade de mais agasalhos, fazem qualquer um sentir-se como um autêntico enchido transmontano na hora de sair à rua (e então no que às mulheres toca, ainda pior). Como poderá uma qualquer Afrodite (justificando ou não tal adjectivação) justificar a tarefa e a clara razão de ser sexy, árduo trabalho que o Criador lhe imputou à nascença, disfarçada de salpicão de Montalegre? 

No Olimpo transmontano, o frio é mesmo de cortar à faca, e normalmente acompanhado de chuva. Já alguém imaginou, as diversas camadas de roupa com que as senhoras minimizam o tal arrefecimento, e ainda complementadas com um guarda-chuva, com vista a evitar a tão maçadora precipitação, que normalmente até é "tocada a vento", e que leva a que o uso de tão indispensável protecção, apenas consiga proteger a cabeça? É o mesmo que colocarmos uma sombrinha de gelado espetada num bucho de porco à moda da Beira Alta, na esperança que os convidas não a devorem e que fique um "bocadito" para deleite pessoal em horas de auto-solidão. Não é bonito de se ver.

Por outro lado, e nas terras denominadas altas (qualquer coisa definida como altitudes acima dos 600 metros, contadas a partir do nível médio das águas do mar), a precipitação assume vulgarmente a forma sólida da neve. A mulher genuinamente transmontana, quebra assim os laços da clássica e bem definida beleza herdada das deusas, para criar os seus próprios estereótipos. Surge então o clássico "buço" ou a tradicional verruga estratégico posicionada (por cima dos femininos lábios), que têm a definida missão e evitar o enregelamento desta porta da alma, pois é certo e sabido que, responsáveis pelo beijo (sobre teremos obrigatoriamente que reservar uma próxima publicação), os lábios não podem nem devem ficar enregelados... Os transmontanos gostam de beijar as suas damas e, as empresas dos batons de  cieiro, são coisa que por tais paragens já teriam falido. 

Gabriel não pensa assim... Ele ama o inverno e, aquando da sua chegada, abraça-o tal e qual o faz aquando das visitas das suas amadas  sobrinhas. Para ele, o desconforto sazonal que é completamente indesejado pelo comum mortal, é apenas e só, uma clara oportunidade de proporcionar ao corpo, um conforto tamanho como é impossível de o
fazer noutras estações. O que poderá ser melhor do que, um fim de tarde e início de noite, acompanhados de uma sopa quente e fumegante (canja ou caldo verde, com certeza), a lareira acesa a radiar de bem vindo calor e a chuva lá fora a fustigar o incauto edifício onde habita? Poderá o leitor, imaginar melhor cenário do que um clássico filme na televisão estatal, com um Rum envelhecido em casca de carvalho, no usado balão de cristal, com a habitual manta preta de "pelinho" a servir de casulo, e os gatos como companhia (Gabriel tem dois gatos, um deles, Meia-Noite, sua companhia fiel há mais de 5 anos, calmo mas muito rezingão, tal como o dono; e uma "menina", Âmbar, de cerca de 4 meses, traquina como ela só), enquanto lá fora, a trovoada assola a capital transmontana, derrubando sobre ela a fúria com que dantes partíamos para a guerra para "descascar" nos Mouros?

O Inverno, e a tradução habitual do desconforto implícito, não são mais do que uma plena e magnífica oportunidade para proporcionar prazeres infindáveis, de recorte muito mais pessoal e privado, a um corpo cansado de prazeres mundanos e noctívagos... Uma espécie de Sinfonia n.º 40 de Mozart, uma das únicas duas compostas em tons menores (tal e qual a natureza das necessidades de Gabriel, cada vez de grandeza menor, mas a traduzirem-se numa maior realização pessoal). Estará ele a "assentar"?  

Gabriel

sábado, 3 de outubro de 2015

O Fala-Barato

O Fala-Barato, é uma espécie que abunda e reproduz-se assustadoramente por toda a Europa, e, particularmente neste nosso Portugal. Goza de uma implementação quase parasitária, taxas de crescimento exponenciais, chegando a colocar em risco o equilíbrio e balanço de certos ecossistemas. 

Mas afinal que espécie (ou sub-espécie) é esta, que terá causado espécie ao vosso autor para que ele se digne a fazer um post sobre ele? Efectivamente, ele não devia ficar alterado com semelhantes espécimes, mas é mais forte do ele próprio e, como tal, vai explorar e expor ao mundo, um pouco sobre este tema nas linhas que se seguem.

Fala-Barato, deverá derivar da junção das duas palavras: falar e barato. A partir daqui, entramos no domínio do experimentalismo... "Falar", por si só, é de fácil depreensão. Quando adjectivado de "barato" (antónimo de caro) também não será de difícil antevisão do conteúdo do sentido epistemológico da palavra resultante. Numa primeira fase, o fala-barato remeter-vos-à para uma clara antítese em relação ao laico da Roma Antiga. Sim, Gabriel aprecia séries e filmes sobre o assunto por, entre outros motivos, a linguagem cuidada usada pelos intervenientes. Logo depois, serão conduzidos para aqueles sujeitos que usam e abusam do calão, para falar sobre tudo e mais alguma coisa, dando a opinião de forma gratuita (talvez o "barato" venha daí) a quem a pede, ou não.  

Dentro do fala-barato, vários tipos se distinguem, embora ele não se vá se alongar muito sobre a distinção/classificação. A saber, o fala-barato zaragateiro (só sabe de falar em meter-se em confusões e andar à pancada com tudo e todos, embora na prática...); o fala-barato gabarolas (que conta tudo que tem e não tem, que faz e não faz, que disse e não disse); o fala-barato mulherengo (que conta a todos as moças com quem andou ou não) e ainda o fala-barato pirotécnico (que dispara para o ar em voz alta todo o tipo de disparates hediondos para que as pessoas se riam do que ele diz, sendo que para isso sejam necessárias duas condições: falar em voz alta com riso grosseiro à mistura e não ter o mínimo sentido naquilo que se diz).

Recentemente, estudos comprovam que, a evolução animal deu origem a uma espécie mutante deste "bicho", um híbrido ainda não baptizado (mas que provavelmente terá nome de felídio, dado que o primeiro espécime descoberto, gosta de ser assim alcunhado), que resulta do cruzamento de todas as espécies anteriores. Um fala-barato de proporções gigantescas e assustadoras que, se mete em confusões, é gabarolas, pensa ser mulherengo e é especialista em arraiais de fogo de artifício, cuja grandeza pode ombrear com as passagens de anos na Madeira (aquelas que o antigo Presidente do Governo Regional armava).

Sendo o fala-barato um sub-espécime humano, ao contrário de todos os restantes seres vivos, não é necessário para nada, não contribui para a harmonia do ecossistema, e nada está dependente da sua existência. Muito pelo contrário... Causa desequilíbrios na estabilidade emocional e no pensamento dos indivíduos que pertencem às castas sociais onde ele, à semelhança de qualquer ser parasitário (mas sem a importância comprovada que estes assumem) se imiscuem de forma gratuita mas não consentida. São uma espécie de rémora social, embora no outro dia um desses fala-baratos apostava com Gabriel que o nome correcto desse animal era anémona. Pasme-se caro leitor... 

Enfim, não se antevê qualquer luz ao fundo do túnel, no que a uma solução se possa encontrar para esta problemática. Até os Partidos Políticos, que habitualmente têm solução para tudo, tão pouco se atreveram a colocar propostas ou a disponibilizar recursos do dietético Orçamento de Estado, para uma resolução deste paradigma social. Nada se pode ler nos seus planos eleitorais, pois é antevista a celeuma que tal caso implica...

Eles estão no meio de vós, tal e qual os vampiros no imaginário de qualquer pessoa, mas sem o charme e a graça que estes têm...


Gabriel 

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Geocaching

Gabriel, desde novo que foi criado no campo. Reconhece as árvores e os seus frutos, bem como quando a altura em ele que amadurecem. Sabe quando germinam as sementes, e quando certas flores desabrocham. Assim, e neste contexto, pode considerar-se um amante e respeitador da natureza, bem como um orgulhoso nas suas raízes simples.

Recorrendo às Novas Tecnologias de Informação, dialogava no outro dia com uma amiga que muito estima, que lhe falou daquilo que estava a fazer no momento. Qualquer coisa tipo "sobre andar de rabo para o ar no meio do monte, para, recorrendo a um GPS e bússola, encontrar uma pequena caixa que terá umas folhas dentro onde poderás assinar": Geocaching.


Mas então para que serve isso e o que se ganha com isso? Gabriel, de natureza habitualmente curiosa, mas de formação académica na áreas das Ciências Económicas, estava curioso. Já tinha ouvido falar e resolveu aprofundar. 


que se pode ganhar com o Geocaching? Passatempo bem remunerado que dá prémios aos melhores? Não, nem por isso. Muito pelo contrário. Mas permite umas caminhadas excelentes que até podem fazer poupar alguns euros do ginásio. E serve para? Não serve para grande coisa, mas pode ajudar a desenvolver algum espírito, tão necessário, de respeito e conservação pela natureza. Ajuda ainda a conhecer locais nas vossas próprias terras, que antes desconheceriam. E desengane-se o individuo que julga conhecer toda a sua terra... Gabriel é nascido e criado no seu burgo, e, em apenas 5 dias, descobriu já novos locais que desconhecia, com um entusiasmo e uma coragem redobrada.


Ainda assim, o que fará Gabriel sair da cama mais cedo e deitar-se mais tarde, abandonando o conforto dos lençóis, para andar no meio do pó, aos tombos, a transpirar, ao calor e à sede, às escuras com frio, a ter que mergulhar em água fresca q.b.? Nem ele sabe... Talvez o curto prazer do convívio com amigos que o acompanham, (Sebastião15 é o exemplo maior, na foto, em plena actividade com Gabriel), talvez pelo desafio de resolver enigmas, talvez por respirar ar puro ou sentir aromas do passado quando atravessa campos perfumados por figueiras). Ninguém, tão pouco ele o sabe.

Algumas caches já feitas, muitas ainda por fazer, chiclas, gaiolas, parafusos e pistolas. Vamos ver o que os próximos dias vão reservar, já que, dedicado como ele é, às actividades que planeia e nas que se envolve, já sonha com voos mais altos. 

Em breve mais novidades, mas entretanto, e a bem de um espírito mais ecologista e de respeito pela Mãe Natureza, que têm sido alvo de sucessivos e continuados atropelos e atentados, Gabriel aconselha este passatempo a todos os que, tal como ele, apreciem a convivência e o equilíbrio com a Mãe. 

Mais informações em www.geocaching.com

Até já...

Gabriel

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

A Mãe e as Novas Tecnologias

As crianças de hoje em dia, nascem com um quase domínio perfeito dos meios de suporte às novas tecnologias de informação. E as mães?

Gabriel também tem mãe. Ao contrário do que se poderia pressupor, ele é uma pessoa perfeitamente normal com os problemas comuns que assolam todos vocês. Ora, o dia de ontem ficou marcado pelo diálogo com a dita senhora. "Filho, quero comprar um telemóvel que dê para ir à Internet e tirar fotografias, as minhas amigas estão sempre na Internet e eu também quero". Note-se que a mãe dele, ou como ele gosta de referir, a "sua Maria", é uma pessoa bastante moderna para a idade. Gosta de sair com as amigas, ir a jantares, bares e discotecas. Dado estes factores, poderia parecer tarefa de fácil empreendimento. Desengane-se o estimado leitor... "Livro das Mães", 2ªa Edição, 1847, Edições Nova Lisboa, e passo a citar: "Infernizar a vida aos filhos sempre que tal seja necessário, ou não. Sempre que tal lhe seja apetecido, o que se traduz, sempre que esteja junto com ele."

Pode ter a sua piada e até chegar a ser efusivamente hilariante... Mas na hora, caro leitor, ele garante que foi de fazer trepar paredes. Conselho de amigo, nunca, sublinhe-se NUNCA, levem as vossas mães a uma loja de telemóveis para comprar um SmartphoneVão ter a oportunidade de entrar num mundo incontornável de disparates e nonsense que ninguém consegue imaginar ou sequer julgar estar preparado para... 

1. Passo: A escolha do dito aparelho. Procurava-se algo dentro dos cento e poucos euros, desbloqueado para evitar toda a panóplia de firmware com que habitualmente as operadoras nos brindam e que apenas servem para tornar os aparelhos mais lentos, e, primeiro ponto da escolha feminina: Branco!!! Se é rápido, dual ou quad ou octacore, não interessa, memória, para quê? Branco. Ok, seja. Depois de outros muito mais bonitos, chega-se ao consenso: Wiko Rainbow Lite. "É Branco pode ser".

2. Passo: "Quer sair com o telemóvel já a funcionar?" A resposta afirmativa era óbvia. Troca-se então o cartão. "Qual é o seu pin?". A resposta não poderia ser mais inusitada... "E eu lá sei?" Começa a telenovela mexicana com tradução brasileira Herbert Richers... Ao questionar, ingenuamente a mãe sobre se não se lembrava do pin, ou se o tinha alterado previamente, a acusação surge logo de forma gratuíta e não remunerada: "A culpa é tua!" "Claro minha mãe". O corropio de de acusações absurdas que não tinham qualquer necessidade de carácter lógico tinha aqui o início da actividade declarado. Após algumas chamadas e experiências, lá se conseguiu alterar o dito código decimal para a sua forma original, sem que, entretanto, o funcionário da loja não tivesse perdido o número de cabelos equivalente à assistência de um jogo de futebol da Segunda Divisão de Honra. Era urgente e emergente, compreender que uma Phone House, não é uma operadora e não tem acesso a dados sobre os clientes da Rede TMN.

3. Passo: A passagem dos contactos. Assemelhou-se a uma longa metragem típica do saudoso Manuel de Oliveira. "A senhora têm conta Google?" Ahahahahaha. Claro que não. E conseguir explicar que a passagem dos contactos recorrendo apenas ao Sim Card era uma coisa que poderia não ser assim tão rápida quanto inicialmente pressuposta? "Quando comprei este último telemóvel, a menina fez isso em dois minutos". O problema era a senhora, mãe de Gabriel, compreender diferenças incompreensíveis para uma mente a processar tecnologia em 128kb... Com calma e paciência e uma meia maratona realizada pelos ponteiros do relógio, lá se chegou a bom porto. Estava tudo pronto? Desengane-se...

4. Passo: "Trabalhar com Smatphones para Totós"... Após os anteriores imbróglios contornados, eis o funcionamento da dita máquina. "Posso ensinar-lhe o básico do trabalho do telemóvel?" Perguntou o atencioso mas, tão incauto funcionário. A resposta, clara e provida de toda lógica não se fez esperar: "Claro, como é que vou à Internet e tiro fotos?" Gabriel, sereno e impávido como ele só, não resistia e explodia numa sonora e audível gargalhada que toda a população da sua cidade natal deverá ter escutado. "Minha mãe" disse, "não seria melhor, num primeiro momento, aprender a fazer, atender ou até recusar chamadas e, mandar e ler mensagens?" E logo começava a Longa Metragem - Parte II. Parecia que ele estava novamente no cinema a assistir ao Senhor dos Anéis... Depois de mais umas infindáveis voltas dos ponteiros, concluiu-se a aula de Andróide Básico, Nível 1. Saindo da loja, uma frase fica na retina da memória: "Não percebi nada do que ele esteve para ali a falar este tempo todo, vais ter que me ensinar."

Do outro lado do seu próprio telefone criava-se um movimento: MAMMCG - Movimento Armado das Mulheres do Mundo Contra Gabriel. Parecia que a mãe e a musa, sem tão pouco se conhecerem, se uniam numa luta sem tréguas contra a paciência do vosso anfitrião deste "Estradas Incertas". Ai dele se elas um dia travam conhecimento e pior, ficam ami
gas...

Os próximos dias serão de tormento, desejem-lhe boa sorte.

Gabriel

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Dia Mundial Sem Electricidade

O comum cidadão, entre os quais se compreende o condigno leitor, está focado e vive num estilo de vida que compreende um crescente numero de várias "superfulidades" às quais se vai habituando e que, logo após um curto período de usufruto, tornam-se indispensáveis para o dia-a-dia. Um exemplo cabal, é o telemóvel. Quando Gabriel era jovem, o uso desta geringonça, que a cada ano evolui e exige mais do utilizador, era inexistente. As pessoas pensavam e planeavam a agenda dentro de um horizonte temporal mais alargado que o imediato. Os primeiros aparelhos foram aparecendo e muito pouco uso tinham. Eram um luxo, eram um adereço supérfluo de moda. Hoje, sair de casa sem ele, corresponde a uma sensação de vazio que apenas encontra paralelo na hipótese de sair de casa sem roupa.

Gabriel, altruísta como ele só, despido de vaidade e abnegando do seu próprio conforto diário, ousou desafiar uma das mais básicas necessidades, para poder relatar e partilhar convosco a ímpar experiência, e, neste contexto, passou um dia (que é como quem diz umas horas que compreenderam e abarcaram a velha e conselheira noite) sem um dos mais preciosos dos confortos pouco dispensáveis: A Electricidade. Vestiu o fato de homem das cavernas e, no período compreendido entre as 19:00 do dia de ontem, até há hora que os senhores da EDP se dignem a restituir o serviço em causa, resolveu viver há "moda antiga".

Tendo previamente convidado uma amiga cujo nome não será revelado, mas que irá, carinhosamente, ser denominada eteronimamente de Josefa, e, não gostando de faltar aos seus compromissos, empreendeu a árdua empresa de organizar o melhor jantar do mundo, fazendo esquecer o mero pormenor da ausência de electricidade. A conclusão foi mais do que óbvia. A dita luz, não fez falta nenhuma. Aliás, se o tal propalado repasto, composto de bife à cervejeira,arroz basmati e espargos salteados, pudesse ter sido saboreado à luz de uma ordinária lâmpada, com certeza que no dia seguinte, não teria sido mais do que um jantar de terça-feira, e dificilmente teria motivos para ser recordado, ou até objecto deste escrito.

A tarefa de cozinhar à luz da vela, para além do espírito romântico, é um desafio a qualquer Master Chefe, e apenas se encontra ao alcance dos mais dotados. Gabriel, foi com toda a certeza capaz de superar-se a ele próprio, tais e tantos foram os elogios. A lareira da sala crepitava alegremente e, embora o frio exterior não se fizesse sentir, conferia ao ambiente um cariz familiarmente acolhedor, ajudando ainda a provir alguma da indispensável claridade. A televisão, outro vício moderno, continuava muda, não podendo reclamar para si o protagonismo a que por si só está tão habituada. A guitarra, deposta a um canto, parecia querer sair do lugar e pedia para ser tocada. Antes da sobremesa pré concebida, leram-se dois textos de Miguel Esteves Cardoso, a saber: o Almoço e o Piropo. Logo, homenageado este último, que MEC considera indispensável na cultura do homem português, fez-se uma pequena batota e trocou-se mais um piropo recorrendo há pouca bateria que o telemóvel dele ainda possuía.

O café viria a tomar-se no exterior, onde a vida fervilhava freneticamente, iluminada que era artificialmente, onde as capas negras dos estudantes do burgo, acenavam em cada nova esquina que ia sendo galgada, ao som da banda sonora da coscuvilhice e da gargalhada. No regresso a casa para uma noite dormida apressadamente, como que na ânsia do Café da Manhã, a luz eléctrica não fazia falta. Ou se calhar, os copos degustados entretanto assim o faziam pensar. A chave entrou na fechadura, e à memória veio a lembrança que momentos antes tinha ficado quase irremediavelmente esquecida no interior do apartamento que Gabriel partilha com o amigo Gustavo (heterónimo, claro). Para resolver tal celeuma, Gabriel havia recorrido à vizinha do lado e aos andaimes que se encontram no exterior do sétimo andar do prédio onde habita, que há muito lá se encontram, com o intuito de provir a base necessária para as demoradas obras. Um sorriso infantil e um tanto nada ébrio, formou-se lentamente e permaneceu por algum tempo nos lábios e na sua mente.

Boa noite... 
Pela manhã seguinte ele iria pagar o raio da conta em atraso com a taxa de urgência para que a comida do frigorífico não se estragasse.


                                                                                                                            Gabriel